COMO PREVENIR LESÕES DE OMBRO NO TRABALHO

15 de abril de 2020 por innove

Lesões de ombro estão associadas a posturas fazem sobrecargas biomecânicas em seus músculos e tendões. Como o braço fornece uma alavanca muito longa, até segurar pequenas cargas na mão com o braço afastado do corpo vai rapidamente resultar em fadiga e desconforto no ombro, além de colocar uma pressão substancial nos tendões do ombro.

A articulação do ombro é uma articulação que permite movimento multidirecional. Ele sacrifica a estabilidade pela mobilidade e, por isso, é mais suscetível a lesões. A maioria das demandas de trabalho exige que pelo menos 90% do trabalho seja realizado com os braços estendidos na frente do corpo.

De acordo com dados do SINAM (Sistema Nacional de Atendimento Médico), as lesões de ombro ocupam o segundo lugar na lista, só perdendo para os casos de dorsalgia (que na grande maioria das vezes está associado a um déficit de alongamento que muitas vezes não é avaliado pelos profissionais de saúde):

Tipos de doenças relatadas pelo SINAM de 2012 a 2018 no Brasil

Essa postura sustentada pode levar a desequilíbrios musculares ao longo do tempo, desenvolvendo rigidez nos músculos da frente e fraqueza nos músculos das costas do ombro. Se não soubermos como combater essas posturas sustentadas do braço, focando em manter um bom equilíbrio dos ombros, o impacto dos tendões do manguito rotador pode se desenvolver, levando à Síndrome do Impacto.

Potenciais lesões do Ombro relacionadas ao trabalho:

  • Tendinite do manguito rotador (síndrome do impacto)
  • Bursite
  • Tenossinovite bicipital
  • Síndrome do ombro congelado (capsulite adesiva)

A Organização deve pensar em prevenção

Lesões no ombro podem ser evitadas. Há várias coisas que podemos fazer para diminuir o risco de fadiga e desconforto no ombro dos membros da equipe.

A. Siga os princípios de design ergonômico;

B. Educar e treinar membros da equipe;

C. Reconhecer e relatar sinais precoces de MSDs;

D. Realizar um mapeamento de sobrecargas biomecânicas das tarefas;

E. Realizar avaliações Físico-Funcionais Admissionais, Periódicas e Demissionais.

A. Princípios de design ergonômico

Ergonomia é a ciência de ajustar o trabalho ao trabalhador, garantindo que os trabalhos e tarefas estejam dentro das capacidades e limitações do trabalhador. Faz parte do compromisso da sua empresa fornecer um local de trabalho seguro.

Um processo sistemático de melhoria ergonômica, reduz o risco de lesões, melhora o desempenho do trabalho e cria com eficiência um produto melhor. O processo de melhoria ergonômica da empresa deve procurar corrigir movimentos excessivos de flexão e abdução do ombro sempre que possível.

Princípios de design ergonômico para prevenção de lesões no ombro:

  • Colocar itens e peças entre os ombros e a altura da cintura;
  • Evitar alcances acima do ombro e reduzir qualquer alcance excessivo;
  • Evitar flexões e abduções acima de 45° do ombro;
  • Ter um estudo da população trabalhadora, com uma boa avaliação físico-funcional;
  • Ter um mapeamento de sobrecargas biomecânicas que afetam os funcionários daquele setor.

B. Educar e treinar membros da equipe

Más práticas de trabalho, um perfil de saúde físico-funcional ruim, e, nenhum reconhecimento de sinais e sintomas precoces pelos membros da equipe contribuem para distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). 

Realize um mapeamento de sobrecargas biomecânicas para controlar os fatores de risco relacionados aos membros da equipe e melhorar o desempenho humano.

  • Os membros da equipe devem ser instruídos sobre técnicas de elevação adequadas para reduzir o estresse no pescoço e ombro.
  • Os membros da equipe também devem ser treinados e motivados para realizar alongamentos específicos para combater o aperto e a compressão no pescoço e ombros.
  • Os membros da equipe devem ser orientados, incentivados e motivados a adotar bons hábitos de saúde e manter seu corpo apto para o trabalho.

C. Reconhecer e relatar sinais precoces de DORT

Aos primeiros sinais de fadiga e desconforto excessivos, os membros da equipe devem estar capacitados para reconhecê-los e fortemente incentivados a informar ao SESMT. 

Quando um relatório inicial é recebido, o fisioterapeuta do trabalho deve realizar uma consulta físico-funcional de intervenção precoce individual para identificar as causas-raiz e ajudar o funcionário a utilizar as melhores práticas de prevenção de lesões.

D. Mapeamento de sobrecargas biomecânicas

Um bom mapeamento de sobrecargas biomecânicas ajuda a identificar os principais pontos articulares que estão atingindo os funcionários na tarefa desenvolvida por eles. Este mapeamento serve como base para demandas de estudos ergonômicos mais específicos. 

Serve também para o direcionamento do processo de recrutamento e seleção de vagas, que podem ser direcionadas com base nos dados levantados no mapeamento e analisados em conjunto com a avaliação físico-funcional admissional.

Exemplo de Mapeamento de Sobrecargas Biomecânicas

 E. Avaliação físico-funcional admissional, periódica e demissional

Para o exame admissional físico-funcional fisioterapêutico, devemos levar em consideração parâmetros mínimos de saúde físico-funcional e parâmetros específicos da atividade que trabalhador/candidato desempenhará. Isto caracteriza o exame como protetor da saúde do candidato, pois caso não fosse realizado comprometeria o que apresentasse parâmetros estatisticamente de alto risco.

Da mesma forma, o exame demissional físico-funcional fisioterapêutico, permite atestar a situação físico-funcional do indivíduo, como prova real para sua futura admissão a outros contratos de trabalho.

O exame periódico físico-funcional fisioterapêutico, permite que haja um controle adequado da saúde físico-funcional do trabalhador, permitindo intervenções adequadas aos prováveis distúrbios físicos passíveis de serem instalados e permitem também que se proceda a mudanças de função de forma acertada.

Ambos os exames possuem códigos no RNPF – Referencial Nacional de Procedimentos Fisioterapêuticos, referenciados no Resolução COFFITO 482/2017, norteando assim o procedimento profissional:

  • 131.069.124 – Exame Admissional e Demissional cinesiológico-funcional;
  • 131.069.125 – Exame periódico cinesiológico-funcional

Os exames admissionais cinesiológico-funcionais gerais podem ser realizados antes ou após o exame médico admissional. Mas para fins de custo, sendo realizado previamente diminui consideravelmente o erário da empresa contratante. Pois o exame admissional cinesiológico-funcional tem um custo final menor que o exame médico admissional, e as inadequações encontradas no mesmo são determinantes para o aumento do risco de contratação do trabalhador, independentemente do resultado do exame médico admissional.

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