Termografia aplicada a FISIOTERAPIA (e a ERGONOMIA)

12 de fevereiro de 2020 por innove

De acordo com Mcardle (1994), a dor muscular tem causa desconhecida, mas o grau de desconforto depende da intensidade e duração do esforço e do tipo de atividade realizada (FILUS, 2011).

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As demandas por produtividade e competitividade que as empresas vêm sofrendo, tornam cada vez maiores as pressões sobre os trabalhadores, que sentem cada vez mais os efeitos de um novo ambiente de trabalho.

A relação entre dor muscular-esquelética e desconforto devido à postura, utilização de força, peso estático e abusivo inconvenientes, relacionados às atividades desempenhadas, estão entre os fatores considerados como indicadores do design dos postos de trabalho.

Para realizar a tarefa, com os meios disponíveis e nas condições definidas, o trabalhador desenvolve uma atividade. Esta atividade é a resposta do indivíduo ao conjunto destes meios e condições caracterizados pelos comportamentos reais do mesmo em seu local de trabalho. Os comportamentos podem ser físicos, tais como gestos e posturas, ou mentais, representados por competências, conhecimentos e raciocínios que guiam os procedimentos realmente seguidos (GUÉRIN, 2001).

O relato de fadiga tem sido examinado de numerosas formas: incluindo a fadiga generalizada, fadiga nos membros inferiores, e a combinação da fadiga com o desconforto local e dor. A limitação na atividade normalmente é provocada inicialmente pelo desconforto e posteriormente pela queixa de dor (MARÇAL; SILVA; NETO, 2016).

HIPÓCRATES notou variáveis de temperatura em diferentes partes do corpo humano. Ele considerou o aumento do calor inato do corpo humano como o principal sinal diagnóstico de doença, em 400 AC, Hipócrates usava as diferenças em temperatura para identificar patologias nos órgãos, colocando barro no corpo da pessoa e observando onde a lama secava mais rápido, indicando que estava mais quente a pele no local.

Barro identificando o local de maior temperatura

Estando as sobrecargas que geram desconforto e dor, relacionadas com processos inflamatórios, e, admitindo que a inflamação gera calor (GARCIA, 2004), supõe-se que o nível de sobrecarga músculo-esquelética pode ser avaliada através da medida da temperatura. Para isso, pode-se utilizar a Termometria Cutânea, que é uma ferramenta de avaliação não-invasiva que mede a quantidade de radiação infravermelha emitida pelos corpos que pode ser qualificada e quantificada através da CIF (OMS, 2003). Segundo o International Consensus and Guidelines for Medical Thermography, ou Diretrizes e Consenso Internacional de Termografia Médica, podemos definir o exame conhecido por Termografia Humana, como sendo:

“Uma modalidade de captação da radiação infravermelha do corpo ou de partes, que mensura e mapeia indiretamente a distribuição da temperatura emitida pela superfície corporal, determinando imagens relacionadas à mesma”.

Sendo assim, o exame de termografia infravermelha se constitui de método diagnóstico por imagem que por meio de sensor acoplado a um sistema computacional, mensura à distância a radiação infravermelha emitida pela superfície cutânea com sensibilidade de 0,05 °C, isto é, sem contato físico.

Segundo Wallace (2016), a termografia por infravermelho se apresenta como uma ferramenta útil às profissões relacionadas ao movimento humano, tais como a fisioterapia, a educação física e a medicina esportiva. Mas, diferentemente das aplicações da termografia em outras áreas da saúde, onde a imagem térmica estática procura correlação com órgãos e estruturas, a termografia do movimento é embasada pelo aspecto dinâmico formador das imagens termográficas.

Ainda de acordo com o autor, a termografia infravermelha tanto mensura quanto mapeia o grau e a distribuição das mudanças de temperatura na pele. A temperatura cutânea está, em grande parte, sob controle do sistema nervoso visceral/neurovegetativo esperando-se assim na presença de um sistema nervoso integro uma similaridade direita/esquerda de todo o corpo. Entretanto, devem-se levar em conta dois pontos fundamentais:

1. A termografia não é um exame isolado. Sempre é necessário correlacionar o padrão de distribuição térmica com a avaliação clínica do cliente.

2. A termografia não é um teste anatômico, mas sim funcional e, portanto, quando na suspeita de lesão estrutural, outros métodos de imagem devem ser executados.

Sobrecarga biomecânica em ombro esquerdo

Termografia na Fisioterapia do Trabalho

A fisioterapia do trabalho tem como grande área de atuação a ergonomia. E dentre os diversos métodos interpretativos utilizados na ergonomia, a termografia tem se tornado relevante para o seu estudo, prevenção de lesões e doenças no trabalho.

No universo da fisioterapia do trabalho a análise físico-funcional do candidato ao trabalho e do trabalhador, demanda métodos e técnicas capazes de permitir a documentação do estado metabólico geral e específico, em sintonia com o que prescreve o Ministério do Trabalho. E baseado nestes fundamentos a termografia laboral, ocupacional ou do trabalho, como vem sendo chamada, se diferencia da termografia de estruturas não humanas/industriais utilizada pela engenharia e abre caminho técnico cientifico para reforçar a atuação do fisioterapeuta no ambiente do trabalho e produção.

Ela é útil em vários segmentos, como por exemplo em:

  • PROCESSOS DE SELEÇÃO: Exames Admissionais;
  • GESTÃO DA SAÚDE OCUPACIONAL: Exames Periódicos; Exames de Mudança de Função; Exames Demissionais; Controle Metabólico; Controle Biomecânico;
  • TERMOGRAFIA PERICIAL: Carga Metabólica Laboral; Risco Biomecânico;

A termografia infravermelha pode ser um bom instrumento para quantificar a sobrecarga na região de queixa apontada pelo funcionário evitando assim a subjetivação da sensação de cansaço e dor/desconforto.  Com uma boa anamnese, aliada a investigação clínica físico-funcional, pode-se identificar disfunções de movimento determinam queixas dos funcionários, que podem estar relacionadas à atividade, podendo ser mapeada conforme o exemplo abaixo:

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A imagem termográfica, aliada a uma avaliação físico-funcional bem conduzida, se torna uma boa indicadora de dor/sobrecarga, quando comparada à avaliação subjetiva de queixa de dor dos funcionários em exames médicos periódicos e/ou fisioterapêuticos periódicos.

Funcionário com queixa de dor em ombro direito

A termometria cutânea é referenciada pela Resolução COFFITO nº 482/2017, que em conjunto com a Resolução COFFITO 370/2009, pode ser uma ferramenta utilizada pelo fisioterapeuta na realização do diagnóstico térmico, e no acompanhamento de queixas dos funcionários em suas avaliações clínicas periódicas. 

Já conhecia a Termografia do Movimento? Você conhece alguma empresa que faz uso desta tecnologia? Conta pra gente nos cometários!

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